Já faz 4 anos que trabalho como revisora de textos e é engraçado eu nunca ter comentado sobre isso por aqui. Gosto muito da língua portuguesa, de estudá-la, mas não sou a melhor pessoa para dar dicas de como escrever melhor ou para dar aulas de como fazer uma redação perfeita, mas pelo menos, sei que tenho fluência do português, isso eu posso garantir. Até porque essa história de “saber tudo” não tá com nada, ninguém sabe tudo, por isso a reciclagem nos estudos, a leitura diária de boas fontes é essencial para quem trabalha com isso. Não paro de estudar nunquinha!
Pois bem, tenho uma relação séria com textos, tenho a função de deixá-lo o mais coeso e coerente possível (salve Maria Adélia!), substituir ou trocar algumas palavrinhas que sejam necessárias para uma melhor compreensão para quem for ler nossas publicações, corrigir erros ortográficos e substituir neologismos. Hã, não tá acreditando no que leu “substituir neologismos”? Mas é isso mesmo, infelizmente o hábito de buscar uma simples palavra no dicionário não é comum para as pessoas, e o pior de tudo, nem mesmo para quem escreve profissionalmente.
Antes era até mais difícil ter acesso ao livrão “pai dos burros” (não gosto dessa perífrase), mas um pequeno dicionário Aurélio, Houaiss, Bechara, Michaelis, qualquer que seja vai te salvar no momento de dúvida. Porém é mais fácil escrever errado e passar para a revisora corrigir, não é mesmo? HA, HA, HA!
Tem palavras que, eu admito, não conheço e nem fazia ideia de como se escrevem quando me perguntam. Um exemplo foi na semana passada quando me perguntaram se a escrita de pulsilânime estava correta. Gente, não conhecia essa palavra e não sabia como procurar, pois no dicionário online que consulto não havia esta palavra. Depois de buscar no dicionário do Bechara, no VOLP e até no Google (às vezes procuro no Google para ver se há alguma referência do idioma do qual foi escrita certas palavras, sua etimologia etc.) é que descobri que no texto estava escrito incorretamente: pulsilânime estava errado, o correto é pusilânime, sem o L.
Gosto desses “desafios”, gosto de aprender palavras novas, é assim que se deve fazer, buscar até encontrar qual é o problema que não se encontra no dicionário num primeiro momento, numa primeira pesquisa. E me sinto realizada quando consigo ajudar.
Porém (sempre há um porém) ao revisar um texto casual e que, a meu ver parecia muito simples, eis que leio algo assim:
“Pinte em torno dos sírios (dos olhos) conforme a imagem abaixo”. Opa, sírios dos olhos? Não é uma palavra da qual usamos no nosso dia a dia? E também não é nada difícil como pusilânime, certo, ou estou sendo muito rígida com aquele que tem por função profissional escrever todos os dias? Há outros exemplos, não vou descrevê-los neste mesmo post. Pode ter sido descuido ou falta de atenção por querer entegar o texto mais rápido? Pode ser, pode ser... se ocorrer mais de três vezes seguramente não, o que acham?
Pois é. E ainda dizem (muitos por aí) que não precisam mais de revisores, que somos uma “raça extinta”, logo não existirá mais. Dizem também que brasileiro não lê – dizem assim mesmo, generalizando tudo – que não temos que nos preocupar se está totalmente correto ou não, nem vão perceber. É cada coisa que temos que escutar... ainda bem que não os levo a sério.
Por que toda vez que vou a uma biblioteca pública está sempre lotada? Por acaso virou um novo ponto de encontro, as pessoas vão a biblioteca para não ler livros? Estranho né, essas pessoas certamente precisam se informar mais, e ironicamente falando, precisam ler mais.